Crítica | Clash: Um retrato da polarização egípcia destinado aos egípcios

filme crítica clash

NOTA: (3,5 / 5)

Os filmes do Oriente Médio não costumam ser exibidos nos circuitos comerciais no Brasil, embora isso venha mudando em face da emergência internacional dos conflitos daquela região. E um dos principais responsáveis por impulsionar o cinema árabe no mundo é o próprio diretor Mohamed Diab, que em meio à efervescência da Primavera Árabe, ganhou diversos prêmios internacionais com o filme de 2010 ‘Cairo 678’ (678), no qual denunciou não apenas o assédio que as mulheres diariamente vêm sofrendo no Egito, mas também o machismo estrutural que prevalece e dificulta o acesso delas ao aparato da justiça em casos como esse.

Em Clash (Eshtebak), seis anos depois, o mesmo diretor voltou a abordar a sociedade egípcia a partir dos protestos que tomaram conta das ruas em julho de 2013, em face da deposição do então primeiro presidente eleito do país, o islamita Mohamed Morsi. A história centra-se o tempo todo dentro de um camburão da polícia, onde um grupo de pessoas, de diferentes origens e com opiniões antagônicas, foi preso arbitrariamente em um desses dias de protesto. O filme chegou a abrir a sessão Un Certain Regard do Festival de Cannes em 2016, além de ter sido pré-selecionado na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar de 2017.

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