CRÍTICA | Em ‘O Estrangeiro’, Jackie Chan entrega sua melhor interpretação da carreira

NOTA: (4 / 5)

Consagrado pelos seus filmes de ação e de artes marciais, Jackie Chan finalmente ganha a chance de mostrar sua versatilidade. Em O Estrangeiro (The Foreigner), Chan interpreta Quan, um pai viúvo que comanda um restaurante chinês em Londres, e que vai buscar vingança pelo assassinato da filha em um atentado terrorista. A melhor interpretação da carreira do ator é contida, porém, por um roteiro politicamente enviesado, e um Pierce Brosnan imbatível no papel de um político “duas caras”.

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CRÍTICA | ‘Um Motorista de Táxi’ é um despertar para a conscientização política

NOTA: (4 / 5)

Este ano a Coreia do Sul aposta em um drama histórico para conquistar uma vaga no Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira: Um Motorista de Táxi (Taeksi Woonjunsa), que conta mais uma vez com a parceria entre o diretor Hun Jang e o astro coreano Song Kang-Ho (o mesmo de O Expresso do Amanhã e Memórias de um Assassino). Aqui, ele interpreta Man-seop, um pobre motorista de táxi de Seul que descobre aos poucos a realidade ditatorial de seu país. A consciência política do que se pode chamar de um “pobre de direita” é, talvez, o fio condutor principal desse drama coreano, embora sem poder considerar elemento suficiente para um Oscar aos olhos dos americanos.

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CRÍTICA | ‘A Origem do Dragão’ mostra um Bruce Lee arrogante e desinteressante

NOTA: (2 / 5)

No final de dezembro do ano passado, estreou nos cinemas o filme biográfico A Origem do Dragão (Birth of the Dragon), que retratou uma luta entre Bruce Lee e o monge Wong Jack Man ocorrida em 1964, nos Estados Unidos. Philip Ng e Yu Xia interpretaram os dois protagonistas, respectivamente, mas a impressão que fica ao final do filme é que o rival de Bruce Lee pareceu ser mais interessante que o próprio Lee e a luta entre os dois.

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CRÍTICA | A Noiva: Terror russo é quase grotescamente bizarro

foto a noiva filme russia

 NOTA: (2,5 / 5)

Alguns filmes contemporâneos russos parecem ter a ousada premissa da similaridade com o cinema ocidental, sem deixar-se confundir como mero plágio. Vê-se a procura por autenticidade em trabalhos fortemente inspirados pelos filmes ingleses e americanos, o que é algo respeitável se se considerar que (quase) nada hoje se cria, mas se copia. Este é o caso do terror A Noiva (Nevesta), que foi exibido no final deste ano no Brasil com um terrível detalhe: a versão legendada em português apresentou no áudio uma dublagem em inglês – péssima, por sinal. Eis o primeiro argumento que justifica uma tentativa de se aproximar de recursos ocidentais que deram certo, como os que se veem em A Mulher de Preto e A Chave Mestra. O “tempero russo” supostamente fica a cargo da fantasia exagerada, ainda que recaia menos em algo propriamente autêntico do que em uma ode inesperada aos contos alemães dos irmãos Grimm.

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CRÍTICA | Eu Não Sou Madame Bovary: Um retrato da burocracia da China

NOTA: (4 / 5)

Em meio a tantas super produções chinesas lançadas anualmente, ainda há alguns dramas políticos de baixo orçamento que conseguem fazer sucesso ao redor do mundo, mesmo que sob a graça dos festivais de cinema. É o caso de Eu Não Sou Madame Bovary (I Am Not Madame Bovary), do diretor Feng Xiaogang, premiado em 2016 nos Festivais de Toronto e de San Sebastián. Ainda que Feng seja conhecido por ter feito blockbusters de sucesso, ‘Bovary‘ se limita em contar uma história que, embora simples, debruça-se em um roteiro bem construído que envolve uma prática combatida rigorosamente pelo governo chinês: críticas ao seu sistema político.

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CRÍTICA | A Vilã (The Villainess): Thriller coreano lembra Nikita e Kill Bill, mas é original

foto filme a vilã the villainess

NOTA: (4,5 / 5)

Ovacionado de pé por cinco minutos no Festival de Cannes 2017, o thriller coreano A Vilã (The Villainess) é um daqueles filmes surpreendentemente magníficos que não tiveram o devido reconhecimento do público e a merecida bilheteria. Sua arrecadação total foi pouco mais de oito milhões de dólares. Entretanto, o filme foi vendido para distribuidoras de mais de cem países, ganhou a crítica especializada, trouxe os holofotes mundiais de volta para a atriz Kim Ok-vin e para o diretor Jung Byung-Gil (a primeira já havia chamado a atenção internacional pelo filme de 2009 Thirst, do diretor Park Chan-wook; e o segundo pela direção elogiada de Confissão de Assassinato, lançado em 2012), e confirmou a qualidade excepcional do cinema coreano, depois dos bem sucedidos Invasão Zumbi, O Lamento e A Criada (os dois últimos ganharam cada qual uma crítica aqui no Blog: O Lamento; A Criada).

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CRÍTICA | Carrinho de Trilhos (2009)

foto filme carrinho de trilhos rail truck torocco

NOTA: (3 / 5)

Grande parte do cinema japonês, dos clássicos aos contemporâneos, tem a forte característica da simplicidade, semelhante – porém única – ao do cinema coreano. Em Carrinho de Trilhos (Torocco), classicismo e contemporaneidade se fundem para adaptar o conto de 1922 do escritor Ryunosuke Akutagawa. Dois irmãos japoneses, Atsushi e Toki (Kento Harada e Kyoichi Omae, respectivamente), viajam para o interior das montanhas ao sul de Taiwan acompanhados da mãe – também japonesa -, Yumiko (Machiko Ono), para levarem as cinzas do falecido pai à casa do avô taiwanês Hong Liu. Atsushi é o irmão mais velho, e guarda consigo uma antiga foto de seu avô, ainda pequeno, ao lado de um carrinho de trilho. Como Liu não se lembra do local onde aquela foto foi tirada, os irmãos começam então uma busca ao trilho visto na fotografia.

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CRÍTICA | Death Note: Iluminando um Novo Mundo (2016)

NOTA: (4 / 5)

O novo live-action Death Note: Iluminando um Novo Mundo (Light Up to the New World), lançado em 2016 e que está em exibição esse ano em alguns cinemas no Brasil, é o quarto capítulo de uma série de filmes lançados a partir de 2006, com ‘Death Note’ e ‘Death Note: The Last Name’. Em seguida, foi lançado em 2008 um spin-off intitulado ‘L: Change the World’, dirigido por Hideo Nakata. Há ainda uma minissérie de três episódios que serve como uma pré-sequência deste novo filme, chamada ‘Death Note: New Generation’. Todos eles são baseados no famoso manga homônimo criado por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata, e publicados no Japão entre 2003 e 2006.

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CRÍTICA | Okja: Uma versão com atores de algum anime de Miyazaki

foto filme okja

NOTA: (3,5 / 5)

Okja, o novo filme do aclamado diretor coreano Bong Joon-Ho (de O Hospedeiro, Mother e Expresso do Amanhã), é algo como uma versão com atores de um anime de Hayao Miyazaki: uma história infantil que esconde uma mensagem social. A história se passa em 2007 e fala da amizade de uma pré-adolescente chamada Mija (Seo-Hyun Ahn) com um porco geneticamente modificado, a quem ela chama de Okja. O “super porco” na verdade foi uma nova espécie animal descoberta no Chile pela empresa Mirando, comandada por Lucy Mirando (Tilda Swinton), que a modificou em um laboratório e enviou para países distintos no mundo junto com outros 25 porcos. A ideia era que cada fazenda recebesse o animal e o apresentasse à sua própria cultura local, permanecendo lá por 10 anos. Após esse período, os animais voltariam para a sede da empresa para um concurso que iria eleger o melhor super porco.

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CRÍTICA | A Mulher que se Foi: Olhar cinzento sobre a marginalização

foto filme a mulher que se foi lav diaz filipinas

NOTA: (3,5 / 5)

O filipino A Mulher que se Foi (Ang Babaeng Humayo), premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza 2016, é um daqueles filmes cultuados mais pelo conjunto da obra do que pela qualidade do roteiro e direção. O diretor é Lav Diaz, conhecido por fazer filmes a preto-e-branco e com longa duração. Este último, com 228 minutos, é considerado um “curta” perto de outra produção sua, ‘Canção para um Doloroso Mistério’, lançado em 2016 e que dura pouco mais de 8 horas. O tempo é fundamental na criação de Diaz, pois é por meio dele que seu realismo cinematográfico pode ser fielmente trabalhado. O tempo, logo, não se submete ao cinema; é o cinema que se coloca à serviço de Diaz. Tempo e Cinema. O dinheiro não preocupa o universo criativo do diretor filipino, que passa longe do estilo comercial.

Ora, se o próprio cinema se submete ao tempo do diretor, então eu diria que o papel primordial dos poucos espectadores que se propõem em passar boas horas sentados em uma poltrona para conhecer o cinema de Lav Diaz, é responder uma indagação óbvia: a qualidade justifica estilo e forma pouco familiares?

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