CRÍTICA | Okja: Uma versão com atores de algum anime de Miyazaki

foto filme okja

NOTA: 3.5 Stars (3,5 / 5)

Okja, o novo filme do aclamado diretor coreano Bong Joon-Ho (de O Hospedeiro, Mother e Expresso do Amanhã), é algo como uma versão com atores de um anime de Hayao Miyazaki: uma história infantil que esconde uma mensagem social. A história se passa em 2007 e fala da amizade de uma pré-adolescente chamada Mija (Seo-Hyun Ahn) com um porco geneticamente modificado, a quem ela chama de Okja. O “super porco” na verdade foi uma nova espécie animal descoberta no Chile pela empresa Mirando, comandada por Lucy Mirando (Tilda Swinton), que a modificou em um laboratório e enviou para países distintos no mundo junto com outros 25 porcos. A ideia era que cada fazenda recebesse o animal e o apresentasse à sua própria cultura local, permanecendo lá por 10 anos. Após esse período, os animais voltariam para a sede da empresa para um concurso que iria eleger o melhor super porco.

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CRÍTICA | A Mulher que se Foi: Olhar cinzento sobre a marginalização

foto filme a mulher que se foi lav diaz filipinas

NOTA: 3.5 Stars (3,5 / 5)

O filipino A Mulher que se Foi (Ang Babaeng Humayo), premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza 2016, é um daqueles filmes cultuados mais pelo conjunto da obra do que pela qualidade do roteiro e direção. O diretor é Lav Diaz, conhecido por fazer filmes a preto-e-branco e com longa duração. Este último, com 228 minutos, é considerado um “curta” perto de outra produção sua, ‘Canção para um Doloroso Mistério’, lançado em 2016 e que dura pouco mais de 8 horas. O tempo é fundamental na criação de Diaz, pois é por meio dele que seu realismo cinematográfico pode ser fielmente trabalhado. O tempo, logo, não se submete ao cinema; é o cinema que se coloca à serviço de Diaz. Tempo e Cinema. O dinheiro não preocupa o universo criativo do diretor filipino, que passa longe do estilo comercial.

Ora, se o próprio cinema se submete ao tempo do diretor, então eu diria que o papel primordial dos poucos espectadores que se propõem em passar boas horas sentados em uma poltrona para conhecer o cinema de Lav Diaz, é responder uma indagação óbvia: a qualidade justifica estilo e forma pouco familiares?

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Crítica | Clash: Um retrato da polarização egípcia destinado aos egípcios

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NOTA: 3.5 Stars (3,5 / 5)

Os filmes do Oriente Médio não costumam ser exibidos nos circuitos comerciais no Brasil, embora isso venha mudando em face da emergência internacional dos conflitos daquela região. E um dos principais responsáveis por impulsionar o cinema árabe no mundo é o próprio diretor Mohamed Diab, que em meio à efervescência da Primavera Árabe, ganhou diversos prêmios internacionais com o filme de 2010 ‘Cairo 678’ (678), no qual denunciou não apenas o assédio que as mulheres diariamente vêm sofrendo no Egito, mas também o machismo estrutural que prevalece e dificulta o acesso delas ao aparato da justiça em casos como esse.

Em Clash (Eshtebak), seis anos depois, o mesmo diretor voltou a abordar a sociedade egípcia a partir dos protestos que tomaram conta das ruas em julho de 2013, em face da deposição do então primeiro presidente eleito do país, o islamita Mohamed Morsi. A história centra-se o tempo todo dentro de um camburão da polícia, onde um grupo de pessoas, de diferentes origens e com opiniões antagônicas, foi preso arbitrariamente em um desses dias de protesto. O filme chegou a abrir a sessão Un Certain Regard do Festival de Cannes em 2016, além de ter sido pré-selecionado na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira no Oscar de 2017.

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CRÍTICA | O Lamento: O ator principal salva este filme morno e lento

3.5 Stars (3,5 / 5)

O cinema coreano ganhou a atenção do mundo em 2016 como há tempos não fazia. Filmes como “A Criada” (que já ganhou uma crítica aqui no site) e “Invasão Zumbi” colocaram a Coreia no meio de disputados prêmios internacionais e nas salas de cinema de vários países, com o apoio quase unânime da crítica.

O Lamento (Goksung), do diretor Na Hong-Jin, também pode ser considerado responsável por isso. Ele foi abraçado pela crítica e pelo público, mas neste especificamente eu me esforcei em compreender a razão de tantos elogios que ele recebeu. Não consegui, embora eu tire meu chapéu para o desempenho do ator Kwak Do-Won.

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CRÍTICA | A Criada: O diretor Park Chan-Wook quer testar o seu limite

5 Stars (5 / 5)

A Criada (The Handmaiden), o novo filme do aclamado diretor Park Chan-Wook (o mesmo de Old Boy e Segredos de Sangue), mostra mais uma vez ao mundo o poder artístico e grandioso do cinema coreano. Exibido no Festival de Cannes em 2016 e eleito pelo público como Melhor Filme de Ficção Internacional na 40° Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, a nova produção de Chan-Wook brilha ao desafiar todas as nossas concepções.

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