A Vida Após a Vida | Jia Zhang-Ke e o Cinema chinês da sexta geração

foto filme a vida apos a vida

O filme de estréia do diretor Zhang Hanyi, A Vida Após a Vida (Zhi fan ye Mao), pode ser considerado como um dos muitos filmes alternativos chineses que ganharam notoriedade menos dentro do seu país de origem do que fora dele. Além de Hanyi ter ganhado um prêmio em Hong Kong destinado aos diretores iniciantes, seu filme também concorreu no Festival de Berlim em 2016, na Alemanha, e chegou a ser exibido no Brasil no mesmo ano no Festival Indie, que aconteceu em São Paulo e em Belo Horizonte. Em 2017, ainda foi exibido em alguns cinemas brasileiros para o grande público.

O filme é dirigido por um estreante na área, mas é produzido pelo já consagrado Jia Zhang-Ke, o que leva a crer que por baixo da simplicidade vista nesta produção, há algo nas entrelinhas passível de uma análise mais contextual. Esta produção revela indícios de que ela segue uma onda cinematográfica importante na China, relevante para todos os que buscam conhecer mais afundo a grande história do cinema chinês.

A seguir, veremos do que se trata a história deste filme, qual a importância de Jia Zhang-Ke nele, e qual a relação desse longa com o cinema independente chinês.

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A Batalha dos 3 Reinos: É possível uma abordagem Realista?

(PARTE 1)

“A Batalha dos 3 Reinos” (ou “Red Cliff”), é um dos filmes mais caros e mais bem sucedidos da história da Ásia. Ele foi dirigido pelo consagrado cineasta John Woo e conta com mais de 4 horas de duração. Seu contexto histórico é pouco conhecido pelos ocidentais, mas é muito familiar para os chineses: a Dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.), uma das mais prósperas eras da antiga China e que foi marcada por grandes avanços em todos os aspectos do país.

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Flores do Oriente: Por que o Massacre em Nanquim ainda é um problema entre Japão e China?

“Flores do Oriente” é uma produção do diretor Zhang Yimou baseada na obra “The 13 Flowers of Nanjing”, da escritora Geling Yan. O filme se passa na China durante o primeiro ano da Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), no episódio que ficou conhecido como o Massacre em Nanquim. A história foca no agente funerário John Miller (Christian Bale) que vai a catedral Winchester (em Nanquim) providenciar o enterro de um padre que cuidava do local. Ao lado de um grupo de estudantes internas que encontrou por lá (e de um grupo de prostitutas vindas de um bordel da cidade), Miller luta para sobreviver aos ataques dos militares japoneses, na medida em que tenta encontrar um jeito de fugir do conflito.

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15 de Agosto: A Rendição Japonesa em ‘O Imperador’

O mês de agosto marca o aniversário de um importante evento na História: a rendição japonesa que pôs um fim na Segunda Guerra Mundial. Todos os anos, no Japão, líderes políticos e a população prestam homenagens às vítimas e aos soldados japoneses que lutaram durante a Guerra. Ao mesmo tempo, grandes questões mal resolvidas ressurgem junto às homenagens, como a inclusão dos que foram condenados como criminosos de guerra no templo xintoísta Yasukuni e a reivindicação chinesa, coreana e taiwanesa de um pedido formal de desculpas do primeiro ministro do Japão em vigência – em razão dos crimes cometidos contra eles. Sobre isso, há um debate que dura até hoje sobre a absolvição do Imperador Hirohito ter influenciado as responsabilidades do Japão sobre os crimes.

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O Conto da Princesa Kaguya: A mensagem escondida

PARTE 2 – Contém Spoilers

Na primeira parte da análise de “Kaguya” (você pode lê-la aqui), vimos que o diretor Isao Takahata alterou dois aspectos muito importantes da história original de “O Conto do Cortador de Bambu”, a fim de criticar uma situação de patriarcalismo no Japão: a repressão sofrida pela princesa Kaguya (que na fábula ela era livre e autônoma), e o autoritarismo do velho Sanuki – que a princípio respeitava as decisões da filha, independente de quais fossem. Também vimos que a atitude rebelde da princesa ao longo do filme significou uma rejeição aos costumes da época, embora isso não tenha sido suficiente para livrá-la das condições em que se encontrava enquanto assumia o posto de uma nobre princesa.

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O Conto da Princesa Kaguya: Uma crítica sobre o Patriarcalismo

PARTE 1 – Contém Spoilers

Isao Takahata é cofundador do aclamado Studio Ghibli e um dos mais conhecidos diretores de animação japonesa no Ocidente. O Conto da Princesa Kaguya, que começou a ser feito  em 2008 e lançado no Japão em 2013, se tornou o quarto anime indicado ao Oscar (na premiação de 2015 perdeu para Operação Big Hero, produção da Walt Disney). Aqui no Brasil foi lançado em Julho deste ano depois de vários adiamentos, o que certamente comprometeu o sucesso do filme no país. Trata-se do último trabalho da carreira de Takahata juntamente com Vidas ao Vento – filme de Hayao Miyazaki lançado também no mesmo ano -. Mas o valor de “Kaguya” não é justificado apenas por ser a última obra: avalio que os cinco anos aplicados na sua produção resultou em um filme íntegro e magnífico, carregado de simbolismos e valores culturais, algo que convenhamos, não é surpresa para os fãs do Studio Ghibli.

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Lição do Mal: A genialidade gore de Takashi Miike

Contém Spoilers

O cineasta Takashi Miike é mundialmente conhecido por incrementar em suas produções cenas de extrema violência com muito sangue derramado. E em Lição do Mal não fez diferente. Aqui, nos é apresentado o jovem professor Seiji Hasumi, que leciona Inglês em uma escola particular nos subúrbios de Tóquio. Profissional de boa reputação, é respeitado pelos colegas de trabalho e amado pelos estudantes. Entretanto, seu charme na verdade esconde uma sociopatia que o impossibilita de sentir qualquer empatia pelas outras pessoas. Em meio a caóticos banhos de sangue derramados, o que me chama a atenção é que, de modo a principio cauteloso, a trama nos envolve em um grande combate entre o professor e os estudantes, fazendo-me refletir tanto sobre a psicopatia de Hasumi quanto o curioso comportamento dos alunos – principalmente quando estão correndo risco de morte. À seguir, você vai compreender melhor por que este filme é um dos melhores do gênero horror na Ásia, e um dos melhores de Miike.

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