CRÍTICA | A Mulher que se Foi: Olhar cinzento sobre a marginalização

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NOTA: 3.5 Stars (3,5 / 5)

O filipino A Mulher que se Foi (Ang Babaeng Humayo), premiado com o Leão de Ouro no Festival de Veneza 2016, é um daqueles filmes cultuados mais pelo conjunto da obra do que pela qualidade do roteiro e direção. O diretor é Lav Diaz, conhecido por fazer filmes a preto-e-branco e com longa duração. Este último, com 228 minutos, é considerado um “curta” perto de outra produção sua, ‘Canção para um Doloroso Mistério’, lançado em 2016 e que dura pouco mais de 8 horas. O tempo é fundamental na criação de Diaz, pois é por meio dele que seu realismo cinematográfico pode ser fielmente trabalhado. O tempo, logo, não se submete ao cinema; é o cinema que se coloca à serviço de Diaz. Tempo e Cinema. O dinheiro não preocupa o universo criativo do diretor filipino, que passa longe do estilo comercial.

Ora, se o próprio cinema se submete ao tempo do diretor, então eu diria que o papel primordial dos poucos espectadores que se propõem em passar boas horas sentados em uma poltrona para conhecer o cinema de Lav Diaz, é responder uma indagação óbvia: a qualidade justifica estilo e forma pouco familiares?

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