Os 7 Filmes LGBT Asiáticos mais importantes de todos os tempos

Os filmes LGBT asiáticos tem crescido consideravelmente ao longo do tempo, embora foram poucos os que ganharam grande notoriedade internacional. Em um continente geralmente influenciado pela ideia de comunidade (em contraposição ao individualismo) e pela importância dada à família, os filmes asiáticos com temática gay acabam retratando os costumes sociais daquelas sociedades, o suficiente para serem substantivamente diferentes das produções ocidentais que tratam do mesmo tema.

Observações importantes

Muitos filmes produzidos lá costumam se centrar na dificuldade que é em assumir um relacionamento com alguém do mesmo sexo, quando o que se está em jogo é a reputação do sobrenome da família, a herança dos pais ou da empresa, ou mesmo o próprio casamento. A pressão para constituir família é alta, a reputação é vista como fundamental, e a tradição é algo que deve ser respeitado a todo custo. Estes fatores são melhor percebidos em países como Japão, China e Coreia do Sul. Países como Tailândia e Filipinas, a comunidade gay é relativamente mais respeitada, incluindo as pessoas transexuais (ou ‘lady boys’, como são chamadas na Tailândia).

Percebo também que na China, o que se sobressai é a forte censura por parte do governo, não só em filmes com essa temática mas com qualquer produção que comprometa de alguma forma a estabilidade política e social do país. Na China e em outros países do continente, a produção independente acaba se expandindo e ganhando forma, o que faz com que muitos filmes com temática gay sejam reconhecidos muito mais fora daqueles países do que dentro deles (e os festivais de cinema são os grandes responsáveis por isso).

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Critérios de escolha

Logo, para conseguir elencar 7 filmes que adquiriam maior importância dentro dessa temática, considerei a princípio aquelas produções premiadas nacional ou internacionalmente. Entretanto, outros critérios precisaram ser utilizados, como: 1) a qualidade geral do filme, considerando direção, roteiro e produção; 2) reconhecimento nacional e/ou internacional, seja pelo público ou pela crítica (aqui se incluem os festivais de cinema); 3) contexto histórico e da produção do filme; 4) presença dos filmes em outras listas como esta, nacionais e estrangeiras e; 5) relevância do diretor e/ou ator e atriz presentes na produção.

Com isso, os países representados aqui são China, Hong Kong, Tailândia, Filipinas e Japão, embora existam ótimos filmes feitos em outros países. A ideia portanto não é desconsiderar a subjetividade, intrínseca em qualquer relação entre arte e espectador, mas  destacar entre milhares, quais foram aqueles filmes com temática LGBT que causaram algum impacto dentro e fora da Ásia.

Em homenagem ao Dia do Orgulho LGBT (28 de Junho), confira então os 7 filmes asiáticos com esse tema mais importantes de todos os tempos:

7. Mal dos Trópicos (Drama - Tailândia, França; 2004)

Sinopse: A vida é feliz e o amor é simples para os jovens Keng (Banlop Lomnoi) e Tong (Sakda Kaewbuadee). Keng é um soldado e Tong trabalha no campo. O tempo passa, ritmado pelas noites na cidade, pelos jogos de futebol e pelas agradáveis reuniões na casa da família de Tong. Um dia, quando as vacas da região começam a ser decapitadas por um animal selvagem, Tong desaparece. A lenda diz que um homem pode se transformar em animal selvagem. Keng parte então sozinho para o coração da floresta tropical, onde o mito muitas vezes se torna realidade.

Filme do aclamado diretor Apichatpong Weerasethakul, que também costuma contextualizar suas histórias em temas como vidas passadas, xamanismo e natureza. Venceu em 2004 o Prêmio do Júri no Festival de Cannes – foi o primeiro filme tailandês a concorrer na cerimônia. Ele também ganhou um prêmio de crítica no Festival Internacional de Cinema de São Paulo, também em 2004.

6. Tabu / Gohatto (Drama - Japão; 1999)

Sinopse: Sozaburo (Ryuhei Matsuda), um jovem de dezoito anos, torna-se um dos membros de uma tropa de samurais especialmente selecionados pelo Shogun, conhecidos como Shinsengumi. Os guerreiros, extremamente hábeis no uso de espadas, são treinados para matar quem se opuser ao regime do Shogun. Sozaburo se envolve numa relação homossexual com alguns dos guerreiros do grupo.

Este filme, que tem no elenco Takeshi Kitano, concorreu no Festival de Cannes 2000 e marca o último filme dirigido por Nagisa Oshima. Foi um dos filmes de maior bilheteria no Japão naquele ano, e talvez seja o filme que retrata a homossexualidade na classe samurai mais conhecido até hoje.

5. Adeus, Minha Concubina (Drama - China; Hong Kong; 1993)

Sinopse: Considerada uma das melhores produções chinesas da chamada quinta geração, o filme se passa na China de 1977, onde dois atores da Ópera de Pequim caminham por um estádio vazio enquanto recordam como se conheceram e iniciaram suas carreiras, ainda em 1925. Nesta época, na Academia Toda Sorte e Felicidade, os pequenos Douzi e Shitou se conhecem e ficam amigos, sendo que mais tarde integram juntos a ópera Adeus, Minha Concubina.

Do aclamado diretor Chen Kaige, o filme concorreu ao Oscar e ganhou diversos prêmios, passando por Cannes, BAFTA, Globo de Ouro e César Awards.

4. The Blossoming of Maximo Oliveros (Drama - Filipinas; 2005)

Sinopse: Maxi (Nathan López) é um rapaz na pré-adolescência que se dedica serenamente ao seu pai e aos seus dois irmãos mais velhos, que o amam e o protegem. Ele limpa a casa, cozinha, lava, remenda roupas, e, quando necessário, encobre as falcatruas da sua família. Até que Maxi conhece Victor, um policial honesto, bonito e com bons princípios. Os dois tornam-se amigos. Victor inspira em Maxi a esperança de uma outra vida, uma vida diferente daquela que leva a sua família - o que o põe num dilema.

O ator desse filme, Nathan Lopez, foi bastante elogiado pelo seu desempenho, e o filme, além de ter sido premiado em diversos festivais (incluindo o Festival de Berlim), foi submetido ao Oscar na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

3. Beautiful Boxer (Biográfico - Tailândia; 2004)

Sinopse: Drama e ação baseados na verdadeira história da modelo e atriz tailandesa Parinya Charoenphol, que até mudar de sexo em 1999 foi um dos mais famosos lutadores de kickboxing de seu país.

O filme teve ótimas críticas, 80% de aceitação no Rotten Tomatoes, levou 6 prêmios de festivais nacionais e internacionais, e ainda foi nomeado no GLAAD Media Awards. Este talvez seja o filme asiático sobre transexualidade mais conhecido internacionalmente, o que faz a presença dele necessária em qualquer lista sobre o tema.

2. Felizes Juntos / Happy Together (Drama - Hong Kong; 1997)

Sinopse: Po-Wing (Leslie Cheung) e Yiu-Fai (Tony Leung) são namorados que saem de Hong Kong e vão passar as férias em Buenos Aires, só que acabam tendo que ficar mais tempo. Po-Wing começa a trabalhar em um bar de tango para guardar dinheiro para sua viagem de volta, e Yiu-Fai começa a trabalhar em um restaurante chinês. Lá, ele conhece um jovem menino de Taiwan, que se torna seu amante, e que o afasta de Po-Wing. Enquanto a vida de Yiu-Fai se modifica, e só melhora, a de seu antigo parceiro está em constante decadência.

Este filme é do aclamado diretor Wong Kar-Wai. Foi bastante elogiado pela crítica, passou por diversos festivais de cinema e ganhou um prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cannes de 1997. ‘Felizes Juntos’ também é um dos sete filmes em que o diretor Wong Kar-Wai trabalha ao lado de Tony Leung.

1. O Outro Lado da Cidade Proibida / East Palace, West Palace (Drama - França, China; 1996)

Sinopse: O título original refere-se aos banheiros localizados em lados opostos em um parque em Pequim, ponto de encontro onde os gays se encontravam por ser o local onde os guardas mais bonitos faziam a ronda. Neste cenário, um jovem escritor gay (Si Han) é preso durante uma batida se apaixona por um policial heterossexual (Hu Jun). Durante o interrogatório, o policial começa a se envolver com o suspeito, iniciando uma relação ambígua de dominação onde ele tenta disfarçar o fascínio pelo jovem escritor.

O filme número um dessa lista é do diretor Zhang Yuan, que teve seu passaporte caçado pelo governo chinês e impedido de comparecer ao Festival de Cannes em 1997, no qual o filme foi exibido. A produção foi a primeira no país a abordar de forma aberta a homossexualidade, e foi filmado inteiramente na clandestinidade. O governo vetou indefinidamente a exibição do filme no país.

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